sábado, 12 de dezembro de 2009

Entrevista: Mallu Magalhães

Mallu mulher. Sim, hoje com 18 anos de idade, a cantora Mallu Magalhães já não é aquela adolescente que virou febre pela Internet, com seu primeiro sucesso Tchubaruba.

Madura, ela buscou novas sonoridades em seu segundo CD, recém lançado no país inteiro. Folk, rock, Mpb e até Reggae. Estão todos os gênero lá, com a adição de novas letras em português, que aos poucos ganham cada vez mais espaço no repertório de Mallu.

Aproveitando o lançamento deste novo álbum, o Vaga-lume conversou com Mallu Magalhães, que contou detalhes sobre o novo material, o impacto de seu namoro no trabalho, relacionamento com os pais e até o improvável: ela escuta forró!

Confira a íntegra desse bate papo a seguir.

Mallu, você lança um novo disco pouco mais de 1 ano depois de seu primeiro álbum oficial. Você já sentia essa urgência em lançar um novo material ou foi algo que aconteceu naturalmente?
Uma certa mistura dos dois. É uma urgência, uma ansiedade que vem naturalmente.
Afinal, componho muito e sinto que é difícil recuperar a sensação, a atmosfera do compor, mais uma vez para gravar.


Aos poucos você começa a mudar o perfil de suas composições, com mais letras em português. Isso aconteceu devido às influências musicais mais recentes ou você tem sentido mais vontade de escrever em português mesmo?
Acho que tanto as influências quanto minha própria libertação interior são fatores que me fazem, inconscientemente, escrever em português.

Agora com uma banda ao seu lado, sua forma de compor mudou muito ou continua a mesma coisa de quando você começou?
Continua a mesma, pois não tenho o costume de compor durante ensaios e tal... e meu compor é muio pessoal, sinto dificuldade em imprimir minha sinceridade ao lado de outro alguém.
Existem, porém, parcerias com meu guitarrista Kadu, mas não ainda no álbum.


"Shine Yellow" destoa um pouco de todas suas canções. A experiência de escrever um reggae é muito diferente de suas outras composições?
Não. Como venho explicando, meu movimento de escrever é tão livre e natural que não controlo o idioma ou o ritmo.


"Make It Easy" é uma canção que descreve a relação de uma filha e uma mãe. Partindo disso, o relacionamento com seus pais mudou bastante depois de dois álbuns lançados, turnês e a perspectiva de toda uma carreira musical pela frente?
Sim. Tenho a impressão de que eu mesma amadureci pessoal e emocionalmente. Tenho, agora, uma percepção mais calma de vários fatores e acontecimentos que me cercam. No caso desta relação, percebi que, por conseguir me posicionar no lugar de mãe, aquilo que sempre julguei autoridade, moralismo ou conservadorismo era, em sua essência, amor e, por ser amor, medo e cuidado.Isso me ajudou muito a ter uma relação mais tranquila.


Qual o impacto do seu namoro em suas composições? Você fica mais cuidadosa com o que escreve ou isso flui naturalmente?
Eventualmente releio o que escrevi e corto versos, frases ou palavras. Ao mesmo tempo, tenho de ficar atenta para não apagar o que escrevi de mais valioso e sincero.

Se você tivesse que escolher uma música para apresentar seu novo álbum a um amigo, qual seria a escolhida? Por que?
Depende do amigo! Não consigo ver uma só canção que resuma ou apresente a obra toda.
Acho que a mistura das composições que revelam o que quero dizer.


No início de sua carreira, suas influências eram Bob Dylan, The Beatles e Belle and Sebastian. Quem entrou nessa lista, que há três anos você sequer ou pouco ouvia?
O Chico Buarque, o Caetano Veloso, a Nara Leão, a Maria Bethânia... Os Mutantes, Toots and the Maytals, Lee Dorsey.... e por aí vai.

Conte pra gente: Quais são seus outros gostos não relacionados à música?
Puxa! Tenho tantos!
Além de artes plásticas, poesia e costura. Faço muita jardinagem!


E nos fones da Mallu, tem alguma música ou artista que ela tenha vergonha de dizer que escuta?
Vergonha? Puxa... não tenho vergonha mas, acho que o que escuto de mais inesperado é Falamansa.

Mande um recado para os seus fãs no Vaga-lume.
Um abraço apertado para os queridos fãs no Vaga-lume!



Fonte: Vagalume

Um novo passo para Mallu Magalhães

Em seu segundo disco, a cantora, de 17 anos, esbanja talento e criatividade. Fora isso, basta meia hora de papo com a artista para se encantar pelas suas ideias e temperamento

Por Cristiano Luiz Freitas

À primeira vista, os “malas” de plantão sentenciaram: “essa menina é uma farsa, uma bobinha, apenas mais uma ‘gracinha teen’ em busca dos 15 minutos de fama”. Remando contra a maré, Mallu Magalhães, 17 anos, superou as críticas, ergueu a cabeça – sem perder a humildade, é claro – e surpreende com o segundo disco de carreira.

Para começo de conversa, Mallu estreia agora em uma grande gravadora (Sony Music). Detalhe: fez o álbum como quis e sem sofrer qualquer interferência. “A primeira música de trabalho? Então, vamos para Florianópolis no fim de semana (dia 5) para gravar o videoclipe de ‘Shine Yellow’. De repente, essa pode ser a canção”, fala a artista, em entrevista exclusiva à Gazetinha.


Planos – como deu para perceber – não são o forte de Mallu. Depois de fazer da internet o seu ponto de partida, evidenciando que a indústria da música precisa de uma boa reciclagem, a cantora chama a atenção pelo misto de maturidade e ingenuidade. Ou melhor: transparência é sinônimo de Mallu. “Tô no momento de um segundo passo, mais corajoso, calmo”, emenda.

De fato, em quase dois anos, a rotina da garota paulistana passou por uma transformação absurda. Febre na net, as canções de Mallu conquistaram fãs por todo país, ela bateu recordes de acesso no MySpace, ganhou espaço na MTV e em outras emissoras de tevê.

Com tudo isso, veio um preço alto também. “A confusão emocional é a parte mais complicada. Você vive em vários mundos ao mesmo tempo. Me machuquei muito, aprendi com os erros e me aproximei ainda mais da família”, avalia.

Apaixonada por Doritos, jardinagem e por confeccionar os seus próprios vestidos, Mallu lida bem com situações típicas da adolescência. A idade, por exemplo, trouxe alguns centímetros a mais, que exigiram uma reforma geral no guarda-roupa.

Ao contrário da maioria dos garotos e garotas, prefere ficar em casa criando os seus próprios cadernos a gastar muitas horas batendo pernas no shopping. “O jovem tá muito desvalorizado, tudo isso por culpa dele mesmo em parte. Às vezes, eu penso: gente, que cara tem a minha geração, dos anos 2000? Não temos personalidade?”, reitera.

Paralelamente aos compromissos profissionais, Mallu termina o 2.º ano do ensino médio. Craque em História da Arte, Língua Portuguesa e Literatura, a cantora também se dedica a cursos livres. Fez um de jornalismo e moda, que rendeu uma conclusão interessante: “Gostei, mas não quero ser jornalista. Tem muitos limites no trabalho”, avisa a menina, que ama escrever crônicas.



Divulgação / “Curitiba é uma cidade muito legal e não acho as pessoas nada frias, isso é lenda. Na última vez que eu estive aí (Lupaluna), fiquei em um hotel bem na frente da Biblioteca Pública. Passei horas vendo pela janela as pessoas lendo, escolhendo os livros”, Mallu Magalhães, 17 anos, cantora “Curitiba é uma cidade muito legal e não acho as pessoas nada frias, isso é lenda. Na última vez que eu estive aí (Lupaluna), fiquei em um hotel bem na frente da Biblioteca Pública. Passei horas vendo pela janela as pessoas lendo, escolhendo os livros”, Mallu Magalhães, 17 anos, cantora



Fonte: Gazeta do Povo

"Descobri o canto da música brasileira", diz Mallu Magalhães

Cantora lança segundo disco e se diz mais segura no mundo da música

 Divulgação
De Dylan a Bethânia: Mallu Magalhães passou a compor mais em Português e a ouvir mais música brasileira desde o primeiro disco

Ela foi alçada diretamente da internet para os principais programas da televisão brasileira. Das gravações caseiras, passou a se apresentar e a ser entrevistada ao vivo perante o julgamento de milhões de brasileiros. Aos 17 anos, a paulistana Mallu Magalhães lança o seu segundo CD e diz já estar acostumada com as perguntas e críticas do público e dos jornalistas. Consagrada pelo estilo folk, em seu novo disco ela se aventura em músicas cantadas em português (parte delas), pegada roqueira que lembra o tropicalismo e até numa levada reggae. Em mudança constante, Mallu mostra que não só sua sonoridade mudou, mas também suas opiniões. Agora ela se interessa por música brasileira e trocou o trabalho de ser artista independente pela segurança de uma gravadora como a Sony. Falante, bem diferente do que parece ser na TV, ela conversou com Época São Paulo, respondeu perguntas de fãs e improvisou uma música.


O que mudou desde o lançamento do primeiro disco?

Houve uma sensação de mais experiência. Eu sei que um ano é pouco tempo, mas são tantas coisas novas que cada show, cada perrengue, cada acerto e cada tropeço sempre contam muito pra mim. Pude aprender muito nesse tempo. Dessa vez, tive um pouco mais de preparação para fazer álbum. No primeiro, a gente só chegou no estúdio e gravou - agora fizemos uma pré-produção. Eu já imaginava que o produtor ideal seria o Kassin, por ser fã de Acabou La Tequila, Kassin +2 e da obra dele como produtor. Ele teria experiência e conhecimento suficientes para poder lidar com as duas faces: a em português e a em inglês. E teria condições de conhecer todas as referências que eu tenho.

Trabalhar com ele foi como você esperava?
A gente se deu super bem, viramos amigos. Isso também é muito gratificante, encontrar alguém com quem você tem valores morais semelhantes.

Qual foi a principal diferença entre trabalhar com o Mario Caldato e com o Kassin?
O Mario pegou um disco que já estava quase pronta. A gente já tinha tocado aquele repertório em vários shows, não foi preciso muito tempo de ensaio, nem pré-produção. Ele dava as dicas, os toques. É a mesma sensação que tenho com o Kassin porque eles são muito diretos, pontuais e “matadores”. Por exemplo: tem uma canção que você sente que está quase lá, mas não consegue descobrir o que está faltando. Eles falam: “Coloca o teclado só no segundo verso”. E não é que quando você coloca o teclado no segundo verso a coisa engata?! Essa sensibilidade é capaz de polir a obra como uma coisa inteira. O Mario e o Kassim fazem muito isso. A grande diferença foi o cuidado nos arranjos. O Kassin esteve todos os dias com a gente na produção, desde a manhã até a noite, pensando cada acorde, cada nota. Por isso, ficamos mais íntimos. Ele já conhecia o Marcelo (Camelo) e acabamos ficando amigos.

Por que você colocou apenas 13 músicas no álbum?
Eu tinha outras, mas acho que se o disco fica muito longo, pode soar cansativo. Por isso, procuro encontrar as músicas mais expressivas e características, que imprimam melhor as sensações, os sentimentos e os fatores que me rodeiam naquele momento de composição. O que acontece durante a composição é que eu faço levas de músicas. De vez em quando, uma leva tem quatro muito parecidas, falando do mesmo tema, com acordes e letras semelhantes. Sempre tem uma que diz uma coisa a mais e é mais forte.

Existe algum plano de lançar essas músicas inéditas em breve?
Penso muito na questão das coisas feitas em casa. Acho que é um caminho cada vez mais apetitoso para os artistas. A internet é também um meio de se tornar profissional. Eu pretendo fazer vídeos caseiros ou tocar nos shows. Tem algumas canções gravadas que, por decisão da Sony e do meu empresário, vão ser usadas mais tarde.

 Divulgação
Turnê do disco "Mallu Magalhães" deve ter início em março de 2010

Como está a sua relação com a internet hoje?
Na verdade, sou meio lerda para essas coisas. Quando entro em uma página ou em um site, preciso de tempo para ficar lá descobrindo como é aquilo, como fazer, como botar o fundo verde e não azul, como aumentar a letra, esse tipo de coisa. Eu ando sem tempo. Apesar de ser da “geração internet” e de ter utilizado como uma grande aliada, hoje não tenho tanta intimidade como no começo da carreira. Antes eu tinha tempo, agora trabalho, estudo e tenho uma vida pessoal intensa. Mas pretendo fazer isso nessas férias. Vou aprender a mexer no Twitter e no meu site vai ter um blog.

Como e por que você começou a compor mais em português?
Composição é tentar traduzir os seus sentimentos com as suas influências. Só na nossa língua a gente já tem grandes influências, os fonemas e tal. Antes da feitura do primeiro álbum, eu tinha interesse numa outra parte da música, ouvia muito folk americano e não ouvia música brasileira. No final do primeiro álbum eu sentia dificuldade de cantar aquele rasgado. Foi então que conheci Nara Leão e me apaixonei perdidamente. Descobri em mim o lugar físico por onde eu pudesse cantar sem me machucar. Descobri o canto da música brasileira. Descobri a Nara, a Gal [Costa], a Rita [Lee], que já conhecia dos Mutantes, que foi uma das minhas principais influências nesse disco, a Cristina Buarque, a Maria Bethânia. Agora também passo dias tocando as músicas do Chico [Buarque]. Isso me influenciou bastante. Até meu conhecimento literário era bastante voltado para o movimento beatnik, as minhas referências, a minha escrita, as minhas sensações e meu jeito de ver a vida já estavam muito impressos nesses livros. Hoje, já me vejo estampada em livros do Manuel de Barros, do Vinicius [de Moraes], do Drummond [Carlos Drummond de Andrade]. São influências diferentes que fazem eu me sentir mais livre e mais apta a me expressar na minha própria língua.

”Shine Yellow” é um reggae e algumas outras músicas têm uma pegada mais roqueira. Como esses ritmos foram parar no CD?
Um dia você está vendo um vídeo do Bob Marley, no outro você está ouvindo um disco e quando você vê já sabe a biografia inteira dele. Eu já tinha muita influência do Maytals e comecei a ir atrás de outras coisas. O Mario Caldato me deu vários CD-Rs com muito soul e funk. Isso tudo é fruto de várias pesquisas e influências que aparecem.

Você gosta de alguma banda de rock atual?
A Jennifer Lo-Fi que participou do meu disco, Los Hermanos, Cidadão Instigado. Mas não ouço muito rock. Gosto da Céu, do Kassin com os projetos dele, da Orquestra Imperial.

Quando começa a nova turnê?

A gente vai parar em dezembro e janeiro e voltamos com o Festival de Verão de Salvador. A turnê deve começar em março, em São Paulo.

Como você vai adaptar todos os arranjos e participações do disco para o show?
Vai ser um show só com a banda, sem metais. Vamos fazer esses arranjos em ocasiões especiais. Não tem a mínima condição colocar tudo aquilo no palco. Infelizmente não tenho esse conhecimento e essa possibilidade. Então eu me contento com os meus roqueiros.

Alguma coisa ainda te assusta no mundo da música?
Eu não gosto de drogas. Algumas coisas deixam as pessoas agressivas e não gosto disso. Eu tenho medo de dividir o mesmo ambiente com pessoas que têm essa energia ruim. E isso não é só no mundo na música. Em qualquer profissão você tem de dividir o espaço com alguém que não gosta. Com jornalistas acontece muito isso. As pessoas querem ficar cutucando, provocando, machucando o seu coração. Tenho medo das pessoas que não sabem que eu tenho coração. Todas as vezes que me atingem, me machuca muito. Eu tenho medo de ficar tão doída a ponto de não ter coragem de me pôr a machucar de novo.

Você ainda faz trabalhos de artes visuais? Sei que você gosta de fazer cursos. Eu pego o dinheiro que ganho com shows e uso para descobrir outras áreas de expressão. Sempre gostei muito de desenhar, pintar, colar e tal. Faço ilustrações de livros de poemas sob um pseudônimo e disponibilizo na internet. Sou bastante produtiva. De julho pra cá finalizei curso de construção e ilustração de livros, jornalismo de moda e figurino cênico. Quero aproveitar as férias para fazer as oficinas de pintura e escultura dos museus. No ano que vem quero explorar mais a pintura e fazer um curso de corte e costura. Me sinto muito limitada na máquina. Apesar de conseguir fazer a modelagem, tenho dificuldade de fazer o acabamento.

Com todo esse seu lado artístico, você tem vontade de fazer tatuagem?
Tenho muita vontade. Já pensei em várias coisas, um código de barra no pulso, alguma letra de canção. Acontece que a cada hora penso uma coisa. Acho que só tatuaria alguma coisa relacionada a uma mudança muito forte ou o nome de um filho, mãe. Tenho medo de depois cansar.

Você tem algum plano para quando fizer 18 anos?
Quero fazer um cartão de crédito! Para poder pagar as passagens de avião, ter uma conta de celular, fazer comprar pela internet. Como odeio bebida, não faz nenhuma diferença poder ou não beber. Também não quero dirigir ou ter carro. Amo andar a pé, pegar ônibus, metrô.

Você é vegetariana?
Eu só comi peixe durante quase um ano. O meu estômago ficou muito fraco. Eu deixei de comer várias coisas e quando você vê, está comendo broto de feijão e bebendo suco o dia inteiro. Na estrada é difícil. Larguei por questões de saúde, mas tenho vontade de continuar.

Há um ano, em entrevista para a Época São Paulo, você disse que seus pais pareciam meio tristes por causa do seu distanciamento e que tinha vontade de sair de casa. Isso mudou?
Graças a essa entidade que paira sobre as nossas cabeças, eu pude ao longo do tempo perceber o que é realmente aquela coisa toda. Eu cresci e me sinto muito mais mulher do que eu era. Quando a gente se põe no lugar de uma mãe, consegue ver que toda a condenação e proibição é amor demais. Por isso é tão doído ver a gente longe, colocando o pé na rua, indo embora, viajando ou fazendo besteira. Isso é medo e amor. Essa foi uma percepção e um ensinamento que me ajudou muito na relação. Toda vez que eu vejo que eles se sentem descontentes com uma atitude minha ou pedem para eu não fazer uma coisa, eu realmente penso e deixo de fazer muitas coisas. Não é preciso proibir quando o filho confia no pai. Quando você sabe que seu pai está falando aquilo porque ele já viveu, você não faz.

Você fica chateada em ler comentários negativos sobre você na internet?
Eu fico chateada com a burrice do meu povo. Caramba! O que que tem a gente ser diferente? De vez em quando, tenho vontade de falar pra essas pessoas: “Vai tentar!Fique em frente das câmeras com aquelas pessoas que podem destruir a sua carreira e os seus sentimentos com uma pergunta!”. Muitas vezes, num programa de televisão, você não consegue nem ser quem você é. Isso que é o pior. Eu acho que já tomei tanto na cuca que já me acostumei. Mas sou tão feliz com a minha vida, com quem eu sou, com a pessoa que amo, com as canções que componho, de ser brasileira, de falar essa língua incrível, que isso é o de menos.

*Participaram da entrevista interativa os leitores Ana Kamila Azevedo, Cora de Alvarenga, Gabriel Vidal, Marcos Vinícius de Souza Germano, Jonas Nunes Martins, Paula Salvador e Renata Porto.


Fonte: Revista Época São Paulo


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mallu Magalhães apresenta músicas de seu segundo disco

Altas Horas

Mallu Magalhães acaba de lançar o seu segundo álbum, intitulado simplesmente Mallu Magalhães. Neste trabalho, a cantora aparece mais madura, com uma voz mais grave e, principalmente, com muito mais referências musicais.

Sem abandonar o folk e o rock, Mallu somou ao seu estilo a valsa, na música É Você Que Tem, e o reggae, na faixa Shine Yellow. A jovem também abriu espaço no seu repertório para composições em português.

Neste sábado, Mallu Magalhães será uma das convidadas do Altas Horas. Durante o programa, a cantora falou sobre o seu segundo álbum, disse que todas as composições são suas e tocou as músicas Shine Yellow e Versinho Número Um, e ainda deu uma palinha de A Rita, de Chico Buarque.

Fonte : globo.com/altashoras

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mallu Magalhães: "Posso me entrevistar sozinha"

Fenômeno pop lança o segundo álbum aos 17 anos.
Por Gustavo Heldt - 10/12/2009 - 11:01

Novo Hamburgo - O fenômeno pop Mallu Magalhães, revelada pela internet e conhecida por seu jeito peculiar em entrevistas, é uma garota sincera. Para lançar o seu segundo álbum, auto-intitulado, a garota de 17 anos o descreve como "um segundo passo, uma segunda tentativa". Mesmo com o ritmo acelerado de entrevistas sobre o novo trabalho, Mallu não utiliza o padrão de respostas que alguns artistas empregam diante de questionamentos da imprensa. A cada pergunta, "eu abro o coração mesmo", diz ela, que se incomoda com indagações sobre o namorado, Marcelo Camelo, e com jornalistas que não gravam a conversa e depois interpretam mal suas declarações.

O segundo disco apresenta uma Mallu mais madura até na voz. O CD contém seis canções em português e sete em inglês. No anterior, eram apenas duas em português, pois ela tinha vergonha de cantar no idioma. Em quatro faixas, Marcelo Camelo acompanha Mallu - três como backing vocal e uma como o responsável pelos assobios. Já nas lojas, o ábum é produzido por

Kassin, que trabalhou anteriormente com Caetano Veloso, Adriana Calcanhoto e Los Hermanos. Confira a entrevista que ela concedeu com exclusividade ao Caderno Bah! e vamos torcer para que a moça volte a subir o quanto antes nos palcos gaúchos.


Bah! - Como está o ritmo de entrevistas, Mallu?
Mallu -
Nessa fase de lançamento, é bastante coisa. Mas acho legal dar entrevista. Já sei até as perguntas: "Como foi trabalhar com o Kassin?" e "Como é namorar o Marcelo?". Posso me entrevistar sozinha, se quiser. Quando respondo, penso e trabalho os conteúdos. Então eu gosto. Respondo sempre, sou sincera. às vezes, me desgasto com isso. Abro o coração mesmo. Tem jornalista que não grava. Eu digo uma coisa, e ele acaba entendendo outra.

Bah! - Como tu defines este novo trabalho?
Mallu -
O resumo é que este é um segundo passo, uma segunda tentativa. E muito eclético, porque podia ter uma lado A e um lado B. Me sinto mais segura e madura agora, profissional e emocionalmente. Até a minha voz mudou, e gosto mais dela.

Bah! - Tu ficas brava quando perguntam do teu namorado?
Mallu -
Sei que é curiosidade das pessoas, mas eu fico, sim. O que eu realmente falaria sobre o meu relacionamento ninguém pergunta. Tento não expor a gente dessa forma. Preciso ter cuidado com o que eu falo.

Bah! - Quais foram as influências para o álbum?
Mallu -
Minha referência principal ainda é o Bob Dylan, mas estou mais eclética. Estou ouvindo de Maytals a Chico Buarque. Escuto muito Mutantes, Caetano... Você já escutou Maytals (grupo jamaicano de reggae)? Procura no
YouTube, é muito legal.

Bah! - O que te motiva a fazer música?
Mallu -
Minha inspiração vem do "movimento do sentir". Vem das minhas relações familiares, amorosas. Dos meus desencontros. Tudo isso é motivo para fazer música.

Bah! - Como é a Mallu Magalhães na aula?
Mallu -
Falto bastante. Sempre tive dificuldade em me relacionar. Tem que ter cuidado. Então, na aula, sou meio quieta, ninguém vem falar comigo. Acho que o pessoal fica envergonhado. É ruim entrar em um lugar e ver que as pessoas já te amam ou te odeiam. Escola é uma coisa estranha.

Bah! - E faculdade, tu queres cursar?
Mallu -
Pretendo, ainda. Mas, por enquanto, faço cursos livres. Os últimos que eu fiz foram de "Ilustração e Construção de Livros" e "Jornalismo de Moda". Esse de jornalismo foi bom para descobrir que não quero ser jornalista.
Não quero tantos limites. Talvez faça um curso de crônicas. Meus textos têm muitos adjetivos.



Fonte: Bah Digital

Mallu Magalhães, “Mallu Magalhães”

Durante muito tempo, o segundo disco era o grande desafio na vida de um artista que tivesse encontrado o sucesso em sua estréia. A pressão por gravar em muito menos tempo uma sequência no mesmo nível já atrapalhou muita gente boa.

Você veja só como são as coisas nesses tempos digitais… Hoje, a pressão é mesmo pelo primeiro disco, já que muitos artistas surgem e ganham notoriedade com apenas uma música. Com a adolescente Mallu Magalhães foi assim, quando ela tornou-se um fenômeno online aos 15 anos e decepcionou num disco apenas mediano.

O caso é que muitos artistas recebem atenção de gente grande quando ainda estão em formação, e isso pode ser prejudicial. Conseguir evoluir enquanto se é vigiado pode ser complicado, ainda mais com a paciência curta de muitos para aguardarem esse processo se concluir.

Ainda com 17 anos, ainda com a voz verde, ainda se encontrando, Mallu deu um pico em seu segundo trabalho. Produzido por Kassin, a escolha do nome mais simples possível, “Mallu Magalhães”, geralmente utilizado num primeiro disco, parece sinalizar exatamente a intenção de marcar esse como um o verdadeiro início, como quem diz “esse sim é meu primeiro disco, não um punhado de canções”.

Boas letras, excelentes arranjos, banda afiada e a chance de ver uma artista crescendo e se formando na sua frente. Bela surpresa para os apressados — como este escriba — que já haviam descartado a moça.


Por Bruno Natal às 16:55
Fonte

Ela cresceu!

Que coisa mais linda esse novo disco da Mallu Magalhães: a sua voz (mesmo em algumas vezes com problemas de dicção semelhantes ao de Marcelo Camelo) está mais madura e segura; os arranjos estão mais elaborados; as letras mais interessantes; os ritmos mais variados (ainda existem o rockabillie, folk e country; mas também agora tem mpb, reggae e pop) - tudo isso numa boa produção de Kassim.

Compromisso é um exemplo da nova sonoridade buscada por Mallu, numa levada um tanto a la Los Hermanos (obs.: Marcelo Camelo participa de algumas faixas). Make it easy tem uma levada grudenta, que é impossível não cantarolar junto; já My home is my man, a faixa que abre o disco, demonstra um lado mais pesado de sua música.

Mas o grande destaque é Te acho tão bonito (também conhecida anteriormente como Cigarro): uma letra e melodia fofas, em que dá pra imaginar a situação dela sentada no colo do seu namorado, ele tragando seu cigarro e ela o admirando. Simples e bonito.

Mallu cresceu e chutou, definitivamente, o fantasma do segundo disco.

Mallu Magalhães, Mallu Magalhães - 10/10